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PORTUGUESA, PORTUGUESA!



Içada em meu coração
sem precisar de razão
para senti-la e amá-la,
a bandeira portuguesa
dentro de mim anda acesa
e em silêncio me fala.

Flutua e linda regala
à brisa que me embala
em cada fado que canto;
seu mastro é a guitarra
onde minha voz se agarra
e faz asas do seu manto.

Musa-cores de meu encanto
se me deito ou me levanto,
meu lençol e meu vestido;
com ela sou caravela,
canoa, rabelo à vela
nos rios do meu sentido.

Em meu berço foi condão,
na minha vida é timão,
e há-de ser concerteza
à flor da minha pele
meu derradeiro dossel,
portuguesa, portuguesa!...

Torre da Guia - SPA 4153

CANTA-ME AQUELE FADINHO



Ao fado que é e não é,
- É a vida!... Diz o Zé,
Zé-Povinho conformado,
que após tanta canseira
por tão benquista maneira
resume inteiro seu fado.

- É a vida!... E desolado
desabafa em tom magoado
os sonhos que não logrou,
quando sente o desencanto
no tempo que entretanto
sem dar por ele passou.

Os almejos que sonhou,
que conseguiu ou falhou,
de saudade iluminado,
recorda pra consolar-se
e com prazer embalar-se
nas memórias do passado.

- É a vida!... E com agrado,
em louvor arrebatado
ergue ao mundo seu copinho,
saúda e oportuno
pede sincero: - Ó Nuno,
Canta-me aquele fadinho!...

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DE MIM PARA TODOS



Quand' um dia dei por mim
e avaliei enfim
meu lugar, minha guarida,
senti à flor do peito
que a virtude e o defeito
se casam pra toda a vida.

O meu avô Barnabé,
figura impante da Sé,
homem de guerra e de paz,
era o laço dos afectos
qu' unia os filhos e netos
da família Ferraz.

Meu saudoso tio Augusto
cuja memória ilustro
com ternura e encanto,
parece ainda tocar
nesta viola a marcar
o fado que agora canto.

O fado, sina ou destino,
que herdei desde menino
e que tanto me comove,
vem da rua de Santana
onde a saudade me chama
na porta número nove.

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FADO PARADIGMA



Enquanto canto palavras,
ora doces, ora amargas
e imagino uma vela,
deixai que o vosso olhar
se prenda a flutuar
ao redor da chama dela.

O nosso Fado é assim
de príncipio até ao fim
luzinha balanceante,
que ameaça apagar-se
ou então iluminar-se
entre sombras oscilante.

Vivemos sem dar por ela
e qual chama singela
que acesa conservamos,
ardemos anos a fio
até ao rés do pavio
ou de repente apagamos.

Enquanto milhões de velas
se acendem como estrelas,
umas menos, outras mais,
o fado da nossa vela
quando se apaga revela
que todos somos iguais!...

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